Sexta-feira, mas poderia ser qualquer outro dia. O ânimo foi recobrado, o que me arrebata com certa tesura. Pois bem, depois de algum delírium tremens, febre de day after, pesadelos outros e um mahumor latejante, volto ao que chamam de centro, mesmo que em se tratando de um ser dual – este que aqui se acusa - não haja meio termo, e sim lados opostos que convivem entre dissonâncias e algum conforto. Acordei e fui deitar com a mesma vontade de tomar vinho. Digo, eu não bebo vinho, porque me dói o estômago. Bebo outras coisas porque o corpo também sofre de dualidade, ora brigando contra a fragilidade crônica, ora respeitando limites. A cabeça voltou a pensar a todo vapor, do jeitinho que é bom e eu gosto. Mas ela só pensa e re-pensa, mas não chega a conclusões. A girl business que aplacou no meu ser – esta sim - pensa claramente nos passos seguintes, sabe bem o quê e como fazer. Mas este coração ainda vaga, quando toda vez que é questionado sobre o porvir se rende absoluto num límpido e reto: Não Sei. Talvez não seja a hora, talvez seja agora. Mas quando Tom Kapinos, no topo de sua sabedoria, diz, através do Hank, que o mundo é cruel e dá muitas reviravoltas, sinto um 'poisé'. Dá medo de piscar e perder o momento, ao passo que as retinas não pregam e uma grande dúvida paira. É a dualidade que também alcança a cabeça. Sempre dois caminhos bifurcados sem nenhuma placa indicativa logo à frente. Pra que lado ir? Será que isso depende de uma decisão ou apenas de um empurrão? Things happen. A conta que ainda sei fazer continua sendo 2 + 2 = 5.
SEQüELA
carlacastellotti arroba gmail ponto com
10.7.09
postado por
carla castellotti
às
15:22
8.7.09
Leia e passe a diante
Você já pode baixar a revista Coquetel Molotov nº6 que traz o Guizado na capa, novidades musicais de Recife e alhures. Vai certeiro numa entrevista bem legal com o fabuloso Romulo Fróes - por quem deixo minha obsessão rolar impassível. E aproveito também pra liberar umas reseinhas que fiz de três discos que me foram passados:
March of the Zapotec
Pompei Records
Dois EPs em um, com vários sons
em 34 minutos, é o novo lançamento
do Beirut. March of the Zapotec é
mais uma das invencionices de Zach
Condon que, junto ao grupo The
Jimenez Band, retoma as sonoridades
folclóricas, evidenciando agora
Oaxaca, no México. “The Shrew”, que
fecha a primeira parte, imprime a
levada romântico-melancólica típica
do Beirut, com ajuda dos incríveis
metais da banda mexicana e da
letra fatalista de Condon. Holland,
a segunda parte do trabalho, é
resultado de suas experimentações
caseiras de electropop. Seu som
eletrônico tem uma leve cadência
e consegue ser singelo, mesmo
na intitulada “My Night With The
Prostitute From Marseille”.
Humdrum
Labrador Records
Pallers é a novíssima dupla de
eletrônico que compõe o catálogo do
selo Labrador. O debut dos rapazes é
o EP Humdrum, que como o próprio
nome já diz, imprime melancolia à
sua batida. Produzido na Espanha,
o Pallers faz música preguiçosa,
impregnada de uma tristezinha
penetrante. Pena que sejam apenas
doze minutos, uma pequena mostra
do que a dupla é capaz. Enquanto
isso, é escutar no repeat durante
aqueles dias cinzas e esperar por
um disco cheio de composições dos
suecos.
The Lilac Times
Labrador Records
Dez músicas fofas, no melhor
estilo indie pop, é o que Pelle
Carlberg prepara em The Lilac
Times. Repetindo a receita de hits
como “I Love You, You Imbecile”,
acompanhado da garota do Club 8,
Karolina Komstedt, Pelle lança mais
um sucesso na faixa “Nickname” do
seu novo trabalho. Outra parceria é
com Sebastian (do Belle & Sebastian),
em “1983 (Pelle & Sebastian)”,
música que abre o álbum. O passeio
sonoro é todo muito gostoso. Música
leve para a moçada a fim de curtir
um tempo bom. E como toda boa
música pop, não há como resistir aos
assovios e palminhas das canções
que grudam no ouvido de qualquer
um.
postado por
carla castellotti
às
13:54
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